Acesso à internet cresceu na pandemia, mas não garantiu qualidade

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Durante a pandemia de covid-19, o distanciamento social gerou a necessidade de realizar atividades importantes de forma online. O acesso da população aumentou para lazer, teletrabalho, educação, e serviços de saúde. Mas isso não garantiu qualidade no uso, para algumas pessoas. É o que aponta a pesquisa lançada nesta terça-feira (5) pelo Cetic.br, Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação.

O levantamento mostra, por exemplo, que quase 70% das pessoas que trabalham como motoristas ou entregadores de aplicativos enfrentam “dificuldade para trabalhar” devido à má qualidade na conexão. De acordo com os pesquisadores, esse é somente um dos pontos que escancaram a desigualdade no acesso à internet e a equipamentos no país.

Durante a pandemia, o lazer também acabou ganhando adesão online. Quase 90% dos entrevistados assistiram a filmes ou séries online e 86% ouviram músicas via internet. Também subiu de 29% para 43% a taxa de pessoas que pagaram por serviços de filmes e séries. Fabio Senne, coordenador de pesquisas do Cetic, explica que o pagamento por esses serviços de streaming aumentou em relação ao período pré-pandemia, mas que isso reflete a desigualdade entre as classes sociais.

O analista administrativo Hugo Silva conta que, com a pandemia, precisou se reinventar pra facilitar a vida com atividades que, antes, eram presenciais. Hoje, ele diz que utiliza a internet pra realizar muitas atividades, incluindo lazer e trabalho.

Ainda na pandemia, 80% das pessoas que trabalhavam remotamente faziam isso por conta do distanciamento social. Outro ponto que chama atenção é sobre o Pix, que foi utilizado para pagar as compras por 72% dos consumidores online.

O pesquisador Fabio Senne ainda destaca que o acesso dos mais pobres melhorou nas atividades que demandam qualidade de conexão e bons equipamentos, como educação e teletrabalho. No entanto, a qualidade de aproveitamento dessas atividades ainda é desigual.

Em relação ao ensino remoto, os patamares foram considerados elevados, como observado em 2020. Com a suspensão das aulas presenciais, 46% dos usuários de internet assistiram aulas via celular. Essa ferramenta foi a mais utilizada pelos estudantes das classes D e E. Já entre os das classes A e B, com mais renda, o uso do computador foi a preferência. O celular ainda é o principal dispositivo de acesso à internet no Brasil, chegando a 77% dos usuários.

A pesquisa está disponível no site cetic.br.

Edição: Jacson Segundo/ Renata Batista

Fonte: Rádio Agência Nacional

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